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Negócios de Família, noivos felizes!
14 de novembro de 2016

Por Carol Montenegro

Noivos felizes precisam de dias tranquilos antes e depois do casamento, sabendo que tudo foi acertado com os melhores profissionais de cada segmento, claro! Nesta matéria pulicada na revista Bride Style #3 contamos sobre alguns fornecedores que trabalham em família e levam excelência ao mercado wedding!

Compartilhamos agora com vocês a matéria Negócios de Família, com texto de Carolina Vasone e fotos de Melissa Pencov.

Leia com o seu noivo!

Empresas tradicionais brasileiras em diversos setores de casamento mostram como unir experiências de gerações e laços de sangue pode ser uma grande fórmula de sucesso de vendas e de valorização do DNA da marca.

Rubens Decorações

Sou uma das decoradoras da Rubens Decorações.” A definição de Lais Aguiar, 30 anos,  diz muito sobre a maneira como lida com a relação entre a tradicional empresa da família e sua promissora carreira na mesma área. Embora já seja conhecida pelo próprio nome no mercado de casamento, Lais faz questão de enfatizar que é mais uma integrante do time da empresa criada pelo avô há quase 70 anos.

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Foram tantas as vezes em que ela acompanhou o pai, Rudi Aguiar – hoje à frente do negócio, junto com Lais e o tio dela – em montagens de casamentos, que nem consegue se lembrar especificamente do primeiro deles. Se, ainda criança, a decoradora gostava de ajudar a montar os arranjinhos de centro de mesa, hoje, formada arquiteta, sua especialidade é projetar grandes estruturas, cenários com pés direitos altíssimos ou decks feitos a partir do zero que, depois de servir de palco para a noite mais importante da vida de uma noiva, serão desmontados.

Com foco inicial na decoração de flores – várias das espécies usadas são plantadas na fazenda da família -, a Rubens Decorações ampliou seu leque de ofertas de décor ao longo dos anos, mas foi com Lais que ganhou um departamento dedicado a projetos de estruturas que são verdadeiras construções arquitetônicas. A iluminação é outra área de interesse da decoradora, que estudou iluminação cênica e paisagismo para interpretar os desejos de seus noivos, sua principal fonte de inspiração. “Meu avô e mesmo meu pai fizeram outro caminho para adquirir todo o conhecimento que têm hoje: aprenderam tudo na prática, e tenho muito orgulho dessa trajetória e dessa experiência, que eles passaram para mim.” 

Black Tie

Meses depois de Cristofer Mickenhagen nascer, o tio dele, Bento Cabral, foi até a extinta loja de departamentos Mappin, comprou 20 ternos no crediário. “Ele adaptou as lapelas com cetim preto e esses foram os smokings que inauguraram a Black Tie”, conta Cristofer que, 36 anos depois dessa história, ocupa o cargo de CEO da Black Tie.

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Embora o negócio tenha começado com foco nos homens, basta entrar no novo endereço da Black Tie, inaugurado em setembro do ano passado e rebatizado de Black Tie Village, ao lado da antiga casa, na Avenida Rebouças, para perceber que as mulheres têm tratamento especial ali. Diana Cantidio, Miguel Alcade e Graciella Starling ocupam uma sala com linhas de acessórios de cabelo e cabeça feitos exclusivamente para a loja. Os vestidos, antes guardados no estoque e trazidos pela vendedora para a cliente, agora ficam expostos por tons de cores, em araras que mais parecem a sucursal do guarda-roupa da Cinderela. “Adequamos o estilo de venda e aluguel ao varejo tradicional”, conta o atual CEO, que provocou uma verdadeira revolução na Black Tie, fundada pelo tio e pela mãe de Cristofer, Alice Cabral.

 O reposicionamento da marca começou em 2008 pelas mãos de Cristofer. Além das parcerias com nomes famosos na área de acessórios, como Graciella, Diana e Miguel, ele também apostou em coleções de marcas internacionais como a israelense Berta Bridal, o franco-americano Oleg Cassini e a grife nova-iorquina Justin Alexander. O número de aluguéis e vendas já empatou em 50% cada, e todo o sistema de lavagem das roupas alugadas foi modernizado. “Hoje usamos o wet cleaning, técnica que além de cuidar mais dos tecidos é mais sustentável que o dry cleaning, por não agredir o meio ambiente com tantos produtos químicos. Passei 20 dias nos Estados Unidos junto com meu gerente de produção, dentro de uma empresa para vivenciar todo o processo. Lavei, passei, minha mulher adorou”, conta, enquanto explica o funcionamento de uma máquina de lavar e secar sueca gigante, com programação para 990 tipos (!) de lavagem. “Antes demorava um dia inteiro para secar um vestido de noiva, e contávamos com a ajuda do tempo. Hoje isso acontece em cinco minutos.”

 Em 2015, uma das novidades é o lançamento de uma linha própria masculina, que, junto com a coleção especial da Camargo Alfaiataria para a Black Tie, completa a oferta de peças exclusivas de festa para os homens na empresa. Cheio de ideias que deram uma guinada na Black Tie, Cristofer credita seu sucesso aos anos de aprendizagem com o tio e com a mãe. “Eles são o grande exemplo de empreendedorismo que tenho. Há um ponto que minha mãe sempre colocou e que não esqueço: o foco tem que estar sempre no cliente. Se a gente olhar para o dinheiro primeiro, não vai focar na prestação de serviço, que vai falhar. Tem que confiar que o dinheiro vai vir como consequência. É algo que penso quase todo dia na minha vida.”

Renata Bernardo 

Raenata Bernardo fez o caminho contrário da maior parte dos filhos que seguem a mesma profissão dos pais: em vez de assumir o negócio da mãe, a convenceu a largar tudo para começar uma nova empresa com ela. Foi assim que as duas geraram, há cinco anos, a marca de joias e acessórios de cabeça para noivas que leva o nome de Renata.

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Com 45 anos de experiência no mercado de joalheria e passagem pela H.Stern e Natan antes de montar sua própria grife de joias, a Grifith, Vera Lúcia Bernardo conta com a ajuda da filha desde que Renata tem 16 anos. “Eu acompanhava as vendas, auxiliava no estoque, servia café, fazia pacote. Topava o que tivesse para fazer na frente. Na época também acompanhava o atendimento dos outros vendedores na loja. Não sabia o quanto isso acrescentaria para mim, mas, depois, fui percebendo o gosto das clientes, do que reclamavam, do que gostavam, e comecei a usar essas informações no meu design”, conta Renata.

Formada em arquitetura, a designer conta que até tentou seguir outra profissão, mas acabou atraída novamente para o mundo da joalheria poucos anos depois de sair da faculdade, quando surgiu uma vaga na área de estilo na empresa da mãe, em 2004. Em 2010 foi a vez de Vera Lúcia ceder ao brilho da filha e vender sua parte na sociedade da Grifith para assumir toda a parte comercial do ateliê de Renata.

A grife, que no início chegou até a lançar coleções de joias, ainda faz peças de ouro, esmeraldas e diamantes sob encomenda – em especial para os antigos clientes de Vera Lúcia – mas logo se especializou em tiaras de prata esterlina com diamantes híbridos (zircônias) para noivas. “Cravejamos as pedras na tiara com a mesma técnica da joalheria. Todo o processo é artesanal; e o controle de qualidade, o mesmo do que uso nas joias, o que faz com que uma peça demore quatro meses para ficar pronta. Tenho algumas tiaras de diamantes naturais e, colocando os dois produtos lado a lado, não dá para ver a diferença”, conta Renata, que hoje tem um acervo de cerca de 400 tiaras, alugadas por valores que variam de R$ 500 a R$ 2.800, o último no caso das peças de brilhante verdadeiro e esmeraldas.

Mickey Presentes

No meio da loja da Mickey Presentes da Oscar Freire se esconde uma salinha secreta. Minúscula, sem qualquer luxo, com espaço apertado para uma mesa e uma cadeira, ela esconde a fórmula do sucesso da mais famosa loja de presentes sofisticados de São Paulo: Samuel Cimerman, criador da empresa que leva no nome seu apelido de infância.

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 À frente do negócio há 56 anos, seu Mickey, como já ficou conhecido pelos clientes, hoje conta com seis lojas próprias, incluindo a matriz na Oscar Freire, onde dá expediente diariamente desde que mudou o endereço de seu estabelecimento da então badalada Rua Augusta (na esquina com a Estados Unidos) para a atual meca do luxo paulistano. Isso foi em 1978, quando Samuel já havia deixado, há muito, o Bom Retiro, onde sua história comercial havia começado. “Procurava uma loja com estacionamento. Esse quarteirão onde estou hoje, da Bela Cintra com a Consolação, não tinha um único estabelecimento comercial, eram todas casas velhinhas. Pensei: vou para lá. Mas estava preocupado, será que a clientela iria vir?”

 A resposta para a pergunta do empresário está nos números, que os filhos dele sabem de cor. “Temos uma variedade, hoje, de 18 mil itens, com marcas como Hermès, Limonge, Baccarat, todas reunidas num só endereço”, conta Rogério, que junto com o irmão mais velho, Carlos Eduardo, começa a tomar a frente dos negócios. Vindo do mercado financeiro, Rogério fez a primeira mudança na loja há alguns anos quando inaugurou a Mickey Home na entrada do shopping Iguatemi. “Depois de algum tempo, percebemos que o meu pai é que estava certo desde o começo e passamos novamente a investir em lojas de rua”, conta Rogério, que fechou as portas do Iguatemi e do
SP Market e hoje tem apenas um endereço de shopping, o do Cidade Jardim. 

A predileção por lojas de rua em detrimento dos shoppings foi apenas uma das lições aprendidas pelos filhos de Samuel, que sabem valorizar o faro do pai para novos negócios. Afinal, foi ele que, nos anos 60, importou da Galeries Lafayette, em Paris, o conceito de oferecer listas de presentes de casamento, hoje um clássico da nossa cultura e responsável por até 90% do faturamento da Mickey. O aprendizado, nessa família, vem, porém, dos dois lados. O investimento na loja on-line é estratégia da nova geração e hoje já virou uma das lojas campeãs de venda do grupo. 

Solaine Piccoli

Gabriela Piccoli gosta de elaborar o desenho de cada vestido de noiva que assina no moulage. A técnica, que consiste em criar o modelo direto no corpo da mulher (ou num manequim com suas medidas), também é a preferida de Solaine Piccoli, dona da marca de vestidos de noiva que leva seu nome. Essa é apenas uma das muitas lições que Gabriela aprendeu com a mãe. “Ela me ensinou tudo, desde a criação até o atendimento ao cliente e como lidar com os problemas do dia a dia da profissão. Frequento o ateliê desde os 14 anos!”, lembra Gabriela.

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 Hoje, aos 39, a estilista toma conta da grife em São Paulo, endereço aberto há seis anos. A matriz, junto com a matriarca dos negócios, fica em Porto Alegre, onde perpetua uma tradição em criar vestidos de noiva há 35 anos. Solaine, 67, aprendeu a costurar com a avó e a mãe. Formada em arquitetura, ela entrou na área depois de criar o vestido de noiva de sua então professora de faculdade, impressionada com as roupas que a estilista vestia, criadas por ela mesma. Costurar, porém, não é um dos talentos de Gabriela. “Sei fazer uma ou outra coisa. Em compensação, vira e mexe eu mesma bordo os vestidos das noivas”, conta.

 Com uma produção de cerca de 250 vestidos de noiva por ano em Porto Alegre e um pouco mais de 100 em São Paulo, mãe e filha cuidam, cada uma sozinha, das criações das peças e cada uma atende uma cidade. Gabriela fica ainda com o conceito dos desfiles da grife, que acontecem todo ano no evento Bride Style.

 Usar materiais clássicos de uma forma inusual é uma das maneiras que Gabriela encontrou de sair do lugar comum sem deixar de evocar todo o romantismo de tules e cetins duchese. “Picoto as rendas, quebro o protocolo na maneira de utilizar os tecidos”, conta a estilista, fã da renda francesa Chantilly. Embora ela seja a “jovem” da dupla, conta que em termos de inovação sua mãe é expert. “Ela sempre foi atrás das novidades. Até em relação à internet ela é muito conectada: tem mais amigos no Facebook do que eu!”, conta a filha. Para atualizar o instagram (36,5 mil seguidores) porém, Julia, a caçula, ajuda a mãe (Camila, a do meio, trabalha no ateliê de Solaine em Porto Alegre).  Pudera: a movimentação virtual é tamanha que elas já receberam pedidos de vestidos até da Arábia Saudita!

 Em 2015, os planos da família estão fora do País. Depois de vender, por dois anos, seus vestidos numa loja em Viena (Áustria) por intermédio de uma amiga de Solaine, a marca agora terá um showroom na cidade austríaca, além de participar de uma feira de moda por lá. “A ideia é, aos poucos, entrar no mercado internacional.”

Began Antiguidades

Respeite o nome da família, ele está acima do dinheiro. Essa foi a lição deixada por Alexandre Bez a Luiz Cláudio Bez pouco antes de morrer. À frente do antiquário Began desde então – e já se vão cerca de 15 anos –, o antiquário preserva a tradição da família, que começou com o avô libanês há quase cem anos, em 1908. O endereço, antes no centro de São Paulo, foi mudado para os Jardins pelo pai e pelo tio de Luiz Cláudio nos anos 40 e lá reúne peças raras de decoração e mobiliário até hoje.

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“A gente nasceu no meio da antiguidade. Nossa casa era uma extensão da loja e ficava a duas quadras de lá. Cresci dentro da Began, lembro que, pequeno, gostava de desenhar a fachada da loja. Acho que poucos definiram a profissão tão cedo: aos 6, 7 anos, eu já sabia que queria ser antiquário”, conta o empresário de 42 anos. Para isso, ele contou, além da herança de expertise familiar, com cursos variados, desde história na USP até marketing na ESPM e gestão de luxo na Faap. Luiz Cláudio ainda fala várias línguas para ajudar no garimpo e na negociação de antiguidades como as duas escrivaninhas que pertenceram aos reis franceses Luís XIV e Luís XV, trazidas de um castelo da França, ânforas que eram de Sissi, a Imperatriz, louças usadas por Napoleão Bonaparte e até canhões originas de 1680. Para encontrar essas raridades, Luiz Cláudio conta com a parceria de dois importantes antiquários da Europa.

À frente também da representação da Baccarat no Brasil, o empresário tem tanto envolvimento com o negócio que já é conhecido como Luiz Cláudio Began, adotando como sobrenome o nome de seu antiquário. Ao seu lado está sua mãe, Augusta Helena Santos Viseu Bez (na foto acima, acompanhada de Alexandre Bez Filho, sobrinho de Luiz Cláudio), responsável pela parte financeira da empresa, que em 2015 promove a chegada de um frasco do perfume Baccarat Rouge 540, produzido em edição limitada em comemoração aos 250 anos da maison de cristais e com preço ainda sem definição no Brasil (na Europa custa € 4 mil !)

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